O que é o oligodendroglioma?
O oligodendroglioma é um tumor cerebral infiltrante difuso que se desenvolve a partir dos oligodendrócitos, as células que produzem a mielina que envolve as fibras nervosas, e representa cerca de 5 % de todos os tumores intracranianos primários. Costuma localizar-se na substância branca dos hemisférios cerebrais, com maior frequência no lobo frontal, e surge tipicamente em adultos jovens a de meia-idade dos 35 aos 50 anos. Pela sua localização cortical, muitos doentes apresentam-se durante um longo período com epilepsia (crises) como único sintoma. Ter o prognóstico mais favorável entre os gliomas difusos torna-o especial quanto a reconhecê-lo e planeá-lo corretamente.
O diagnóstico faz-se por 1p/19q e IDH
A RM é o principal método de imagem; o tumor costuma aparecer como uma lesão cortical-subcortical hiperintensa em T2/FLAIR, e a calcificação que muitas vezes se vê na TC ajuda ao diagnóstico. Contudo, o diagnóstico definitivo só se faz pelo exame molecular do tecido obtido na cirurgia: segundo a classificação da OMS de 2021, a demonstração tanto de uma mutação de IDH1/IDH2 como de uma codeleção 1p/19q é obrigatória para o diagnóstico de oligodendroglioma. Sem estes exames, o oligodendroglioma não pode ser diagnosticado; os tumores IDH-mutados sem codeleção 1p/19q entram na categoria de astrocitoma. Por isso a cirurgia é um passo crítico tanto para o tratamento como para um diagnóstico molecular preciso.
Classificação e decisão de tratamento
Na classificação da OMS de 2021 foi eliminado o termo «oligodendroglioma anaplásico»; o tumor é classificado apenas como grau 2 ou grau 3, e não existe oligodendroglioma de grau 4. O tratamento é planeado segundo o grau, a extensão da resseção, o perfil molecular, a idade e o estado do doente. O primeiro passo é a resseção cirúrgica segura mais ampla possível; a craniotomia em vigília e o mapeamento cortical são usados para os tumores próximos de áreas funcionais críticas (eloquentes). Para os casos de baixo grau, as opções incluem uma vigilância estreita, o inibidor de IDH que penetra no cérebro vorasidenib (aprovado para certos casos de grau 2 após a cirurgia) e radioterapia com quimioterapia quando necessário. Para os casos de grau 3, a abordagem padrão é a radioterapia combinada com quimioterapia (PCV ou temozolomida).
O processo da cirurgia e a preservação da função
Como o oligodendroglioma é um tumor que infiltra o cérebro circundante, o objetivo da cirurgia é a resseção mais ampla possível preservando a função. Na preparação são realizados um exame neurológico detalhado, uma RM com contraste e, se necessário, uma RM funcional e uma tractografia DTI, uma reunião multidisciplinar e uma avaliação anestésica. Se o tumor estiver perto de áreas críticas como a fala ou o movimento, preferem-se a craniotomia em vigília e o mapeamento cortical para reduzir o risco de perda permanente. Pela calcificação e uma maior vascularização, o risco de hemorragia pode ser um pouco maior do que em alguns gliomas; isto é tido em conta no planeamento cirúrgico. Após a cirurgia costuma haver 24-48 horas de cuidados intensivos e alguns dias de internamento; o grau de resseção é avaliado com uma RM de controlo.
Prognóstico e expectativas realistas
Graças à codeleção 1p/19q e à mutação de IDH, o oligodendroglioma tem o prognóstico mais favorável entre os gliomas difusos e responde à radioterapia e à quimioterapia; o regime PCV é apoiado por dados de seguimento a longo prazo. O prognóstico varia conforme a idade, a extensão da resseção, o grau tumoral e as características moleculares. Como os tumores de baixo grau podem transformar-se num grau mais alto ao longo do tempo, recomenda-se um seguimento estreito. Os riscos da cirurgia (hemorragia, infeção, défice neurológico temporário ou permanente, edema, convulsões) são falados abertamente. Não prometemos um resultado garantido; as expectativas são partilhadas com clareza antes da cirurgia.